Agrotóxicos nos alimentos: é verdade que o brasileiro consome 5L por ano?

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Os agrotóxicos são produtos químicos utilizados no Brasil há mais de 50 anos para proteger as plantações contra pragas, fungos e plantas invasoras, conhecidas como daninhas. Com isso, elimina perdas nas lavouras e aumenta o volume da produção dos alimentos.

Nos últimos anos, grupos que criticam o uso de defensivos agrícolas têm divulgado um dado que teve grande repercussão na mídia, afirmando que o brasileiro consome 5 litros de agrotóxico por ano. Essa afirmação é falsa e, para não deixar dúvidas, vamos esclarecer o porquê.

Como é feita essa conta? 

Primeiro, é importante entender de onde vem esse número: 5 litros é o resultado da divisão entre a quantidade de agrotóxicos utilizada no país pela quantidade de habitantes do Brasil. Esse cálculo não reflete o real cenário e são diversos fatores envolvidos que comprovam que essa afirmação é falsa. Começando com a constatação de que a melhor unidade para medir o consumo de agrotóxicos, ou seja, a que mais se aproxima da realidade, é quilos por hectare, e não litros por habitante.
Por que a informação é falsa?

O dado transmite uma desinformação, pois leva ao entendimento de que os brasileiros literalmente ingerem litros de agrotóxicos todos os anos, o que de fato não acontece. Assista ao vídeo para entender:

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Algumas culturas que levam agrotóxicos não são comestíveis

Grande parte dos agrotóxicos são utilizados em plantações que não são comestíveis. O algodão, por exemplo, que é utilizado na fabricação de tecidos, é uma das culturas em que mais se utiliza defensivos agrícolas no país. Também temos a cana-de-açúcar, essencial na produção do etanol; o eucalipto, utilizado para produção de papel e móveis, e a floricultura em geral, que também é tratada com pesticidas.

Além disso, é válido lembrar que o agrotóxico é aplicado em toda a extensão da planta e, em muitos casos, apenas uma parte dela se torna alimento para os seres humanos. No caso do feijão, por exemplo, não nos alimentamos das folhas e nem do caule, somente dos grãos. Além disso, com exceção das hortaliças e frutas, são poucos os casos em que o agrotóxico é aplicado na parte comestível da planta.

O agrotóxico é diluído e se degrada com o tempo

Ao utilizar um agrotóxico, o produtor precisa diluir o produto seguindo as especificações da bula. Após a aplicação na lavoura, a maior parte dos ingredientes ativos se degrada com o tempo. É o caso de grande parte dos herbicidas, por exemplo, que são aplicados no início do plantio, bastante distante da época de colheita.

É por isso que todo defensivo possui um prazo de carência, que é o tempo entre a sua última aplicação até o momento da colheita. Esse período está especificado na bula e deve ser respeitado para que o resíduo no alimento esteja dentro do permitido pela regulamentação.

Esse prazo é calculado para que as substâncias químicas dos agrotóxicos já tenham se degradado, por meio da ação da temperatura, da luz, da umidade e de outros fatores, restando em quantidade tão reduzida e diluída que não oferece perigo para o ser humano. 

O Brasil é um grande exportador agrícola

Também é preciso levar em conta que o Brasil é um grande exportador de diversas culturas, como soja, algodão e milho. Sendo assim, uma boa parte da produção de alimentos do país não vai de fato para a mesa dos brasileiros.

Sendo assim, o cálculo realizado para afirmar que o brasileiro consome 5 litros de agrotóxicos por ano não considera as informações cruciais trazidas acima.

O agrotóxico deixa resíduos nos alimentos? 

O tema “resíduos de agrotóxicos nos alimentos” gera muitas dúvidas e levanta debates, por isso é preciso analisar a situação com cautela. Como falamos anteriormente, a maior parte dos ingredientes ativos se degrada com o tempo, ou seja, antes que os alimentos cheguem às nossas mesas, o nível de resíduo já é significativamente reduzido.

Também é preciso lembrar que a legislação brasileira é uma das mais rigorosas do mundo e, antes de um agrotóxico ser aprovado para uso, ele passa por uma avaliação rígida e extensa, baseada em estudos científicos. Nessa avaliação são considerados diversos pontos, inclusive o limite máximo de resíduos permitido para que a saúde dos consumidores seja preservada e o prazo de carência dos produtos no meio ambiente.

No último Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) coordenado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foram coletadas e analisadas 4.616 amostras de alimentos em 26 estados e em 77 municípios. Dentre as amostras analisadas, de 2013 a 2018, nenhuma apresentou potencial de risco crônico. Sendo assim, podemos considerar que os alimentos produzidos no Brasil são seguros quanto aos resíduos de defensivos.

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Mas se são seguros, por que alguns agrotóxicos são proibidos em alguns países?

O fato de não haver um produto registrado em um país não significa necessariamente que ele seja proibido. O registro ou não de um agrotóxico depende das pragas presentes em cada território e das culturas que lá são cultivadas. Se o país não cultiva cana-de-açúcar, por exemplo, não há necessidade de ter agrotóxicos para controlar as pragas da cana liberados naquele local. Por isso, não é efetivo comparar os defensivos que são utilizados na Europa, por exemplo, com os produtos registrados no Brasil. Ainda assim, a maioria dos pesticidas utilizados aqui são também empregados na Europa, nos Estados Unidos e na China.

Os fatores climáticos também influenciam: em países europeus e nos Estados Unidos, por exemplo, o inverno rigoroso com neve ajuda a exterminar pragas naturalmente. Como o Brasil é um país tropical, torna-se mais suscetível à proliferação de pragas, pois não pode contar com a temperatura para conter insetos e plantas invasoras nas lavouras. Assim, é preciso utilizar defensivos em nosso país que não são necessários no exterior.

Vale lembrar que os alimentos produzidos no Brasil são exportados para 160 países, e testados tanto na saída do país quanto na entrada no local de destino.  Por isso, são utilizados níveis de agrotóxicos que atendem às normas internacionais, a fim de não criar barreiras para a exportação de produtos brasileiros.

Confira mais mitos e verdades sobre defensivos agrícolas no nosso blog. E se quiser entender melhor sobre a segurança dos alimentos tratados com agrotóxicos, clique aqui para acessar nosso conteúdo.


Links de referência: 
    • https://www.youtube.com/watch?v=zNP9p3YZN4o 
    • https://veja.abril.com.br/blog/cacador-de-mitos/mito-8220-o-brasileiro-ingere-5-litros-de-agrotoxicos-por-ano-8221/ 
    • https://agrosaber.com.br/mito-brasileiros-consomem-5-litros-de-agrotoxicos-por-ano/ 
    • https://portal.anvisa.gov.br/duvidas-sobre-agrotoxicos-em-alimentos 
    • https://www.youtube.com/watch?v=y-gJA3cPOI8